"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?": Mateus, um dos mais problemáticos dos evangelistas
- Jorge Guerra Pires
- 12 de fev. de 2025
- 2 min de leitura

Se há um evangelista que merece um olhar mais crítico, esse é Mateus. Ele não apenas deturpa profecias do Antigo Testamento para encaixar Jesus nelas, mas também insere eventos absurdos que nem os outros evangelistas ousaram repetir.
A famosa frase de Jesus na cruz – "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mateus 27:46, Marcos 15:34) – já é problemática por si só. Se Jesus era onisciente e sabia do plano divino, por que expressaria abandono? Mas Mateus não para por aí. Ele nos brinda com uma cena digna de um filme de terror: tumbas se abrindo e mortos andando por Jerusalém (Mateus 27:51-53).
O curioso é que ninguém mais menciona esse "apocalipse zumbi santo". Nem os outros evangelhos, nem historiadores da época, nem o próprio Paulo, que escreveu antes dos evangelhos. Como um evento dessa magnitude simplesmente some da história? A única explicação plausível é que Mateus estava mais preocupado em criar uma narrativa impressionante do que relatar fatos reais.
Isso sem falar em outras "gafes" de Mateus, como:
A falsa profecia do fim do mundo ainda naquela geração (Mateus 24:34).
A entrada de Jesus em dois animais ao mesmo tempo, por erro de interpretação de Zacarias 9:9 (Mateus 21:1-7).
A adaptação forçada de Oséias 11:1, que falava sobre Israel, e não sobre Jesus (Mateus 2:15).
Se Mateus estivesse escrevendo hoje, provavelmente seria um roteirista de Hollywood, exagerando na fantasia para impressionar seu público.
O que fica claro é que, ao longo dos séculos, a fé cristã foi construída sobre narrativas cheias de falhas e contradições. E Mateus, com sua tendência a exageros e erros, é uma peça-chave nesse quebra-cabeça de manipulação.
O que acha? Será que alguém da época já desconfiava dessas "adaptações" ou só começamos a questionar agora?

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