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Deus, Pátria e Família: Deus na Constituição Vem do Movimentos Fascistas da década 1930 (Integralismo Brasileiro)







A presença de “Deus” na Constituição brasileira não é uma escolha neutra ou meramente simbólica. Sua inclusão, que ocorreu pela primeira vez na Constituição de 1934, está profundamente ligada ao contexto histórico do Brasil nos anos 1930, um período marcado pela ascensão do autoritarismo e do fascismo. Essa referência é um eco direto de uma época em que a Igreja Católica se aliou ao Estado para moldar uma identidade nacional baseada nos pilares de Deus, Pátria e Família, lema do Integralismo Brasileiro, inspirado no fascismo europeu.

Manter “Deus” na Constituição não é apenas uma questão religiosa; é perpetuar um legado autoritário que contradiz os princípios de um Estado laico e democrático. Em tempos recentes, a retomada desse discurso por movimentos políticos como o bolsonarismo demonstra como essas referências simbólicas podem ser utilizadas para justificar políticas de exclusão e controle.

Remover “Deus” da Constituição não é apenas um gesto em defesa do laicismo; é uma medida necessária para proteger a democracia de retrocessos autoritários.

O Contexto Histórico: Deus e o Fascismo no Brasil

Em 1934, o Brasil vivia sob a liderança de Getúlio Vargas, em um período de intensa transformação política. A Igreja Católica, que havia perdido parte de sua influência após a proclamação da República em 1889, viu na aliança com o Estado uma oportunidade de recuperar sua posição privilegiada. O resultado foi a inclusão de “Deus” na Constituição de 1934, consolidando uma relação simbólica entre religiosidade e identidade nacional.

Esse contexto também foi marcado pelo crescimento do Integralismo Brasileiro, liderado por Plínio Salgado. Inspirado por movimentos fascistas como o de Benito Mussolini, o Integralismo promovia valores ultraconservadores, defendendo a religião (especialmente o catolicismo) como um dos pilares centrais da sociedade. O lema “Deus, Pátria e Família” resumia a visão de mundo integralista: um Estado autoritário, hierárquico e guiado pela moral religiosa.

A presença de “Deus” na Constituição foi uma concessão à Igreja e aos setores conservadores, simbolizando não apenas a relação entre o Estado e a religião, mas também um alinhamento com valores autoritários e excludentes. Essa escolha contradiz os princípios democráticos e a diversidade religiosa e filosófica que caracteriza o Brasil moderno.

O Bolsonarismo e o Ressurgimento do Fascismo Simbólico

O discurso de “Deus, Pátria e Família” ressurgiu com força durante o governo de Jair Bolsonaro. Essa retórica, que apela aos valores tradicionais e conservadores, foi usada para justificar políticas que ameaçam a laicidade do Estado e os direitos das minorias. Ao invocar “Deus” como base de sua política, o bolsonarismo buscou legitimar sua agenda autoritária, explorando o medo e a divisão social.

Exemplos claros desse movimento incluem:

  • A presença massiva de evangélicos nos conselhos tutelares, usados como instrumentos para promover valores religiosos em espaços públicos.


  • A instrumentalização da religião na política, criando uma divisão entre os “defensores de Deus” e seus “inimigos”.


Essa estratégia não é nova. Ela reflete a mesma dinâmica do Integralismo, que usava a religião como ferramenta para consolidar o poder político e marginalizar aqueles que não se alinhavam às normas religiosas predominantes.

Por Que Remover “Deus” da Constituição?

  1. Proteção da Democracia A referência a “Deus” na Constituição não é neutra. Ela fortalece a ideia de que o Estado tem uma conexão com uma visão religiosa específica, enfraquecendo o princípio da laicidade e abrindo caminho para políticas que privilegiam certos grupos religiosos em detrimento de outros. A remoção de “Deus” seria um passo crucial para garantir que o Estado represente todos os cidadãos, independentemente de suas crenças.


  2. Romper com o Legado Fascista A inclusão de “Deus” na Constituição foi um produto de uma época em que valores autoritários e conservadores dominavam o cenário político brasileiro. Manter essa referência é perpetuar um legado de exclusão e controle social. Removê-la é uma forma de reafirmar o compromisso com os princípios democráticos e com a diversidade que caracteriza o Brasil contemporâneo.


  3. Inclusão e Igualdade Em um país onde aproximadamente 20% da população se identifica como sem religião, manter uma referência a “Deus” na Constituição é um gesto de exclusão. Essa referência simboliza o privilégio de certas crenças em detrimento de outras, violando o princípio de neutralidade que deveria guiar o Estado.


Conclusão: Laicidade como Defesa da Democracia

A presença de “Deus” na Constituição brasileira não é apenas um detalhe simbólico; é um resquício de um passado autoritário que precisa ser superado. O legado do Integralismo e o ressurgimento de discursos fascistas nos lembram que a separação entre Estado e religião não é apenas uma questão de diversidade religiosa, mas uma necessidade para a proteção da democracia.

Remover “Deus” da Constituição seria um gesto simbólico poderoso, reafirmando que o Estado brasileiro pertence a todos os seus cidadãos, independentemente de suas crenças ou falta delas. Essa ação não é uma afronta à religião, mas uma defesa do princípio de que nenhuma crença — religiosa ou filosófica — deve ser imposta ou privilegiada pelo Estado. Trata-se de proteger a democracia das amarras do passado e abrir caminho para um futuro verdadeiramente inclusivo.





Deus entrou durante o governo fascista de Vargas
Deus entrou durante o governo fascista de Vargas

🕰️ De onde vem essa menção a Deus?

Essa referência não estava na Constituição de 1891, que foi a primeira a declarar a separação entre Igreja e Estado. A Constituição de 1891 refletia o espírito republicano e laico, rompendo com o Império, que tinha o catolicismo como religião oficial.


A menção a Deus foi reintroduzida em 1934, durante o governo Getúlio Vargas, em um contexto político mais conservador e religioso. Desde então, a frase foi mantida em todas as Constituições seguintes.


🤔 Por que a Constituição de 1988 manteve essa menção a Deus?


  1. Pressão de grupos religiosos.Durante a Assembleia Constituinte de 1987-1988, setores cristãos (especialmente católicos e evangélicos) pressionaram para que a menção a Deus fosse mantida no preâmbulo, como um símbolo cultural.

  2. Simbolismo moral e ético.Os defensores argumentaram que a menção a Deus representava um compromisso ético e moral, mesmo para quem não é religioso.

  3. Retórica de unidade.A frase foi vista como uma maneira de promover um senso de união nacional, especialmente em um período de transição democrática após a ditadura militar.


Remoção da Referência a Deus da Constituição Brasileira para Garantir o Estado Laico

Proponho a remoção da referência a “Deus” do preâmbulo da Constituição Brasileira, como forma de garantir que o Estado seja verdadeiramente laico e imparcial em relação a todas as crenças, garantindo o respeito à liberdade religiosa e à diversidade. Essa alteração não impacta os direitos individuais de liberdade de crença e religião, mas fortalece o compromisso do Estado com a neutralidade religiosa e o respeito a todos os cidadãos, independentemente de suas convicções pessoais.





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