Manifesto pela Remoção da Referência a Deus da Constituição Brasileira: Por um Estado Verdadeiramente Laico
- Jorge Guerra Pires
- 15 de jan. de 2025
- 4 min de leitura

Introdução
A Constituição Federal de 1988, em seu preâmbulo, declara que os representantes do povo brasileiro reuniram-se "sob a proteção de Deus" para instituir um Estado Democrático de Direito. Essa menção, embora simbólica, traz implicações importantes sobre a relação entre o Estado e a religião. Em um país plural e diverso como o Brasil, é essencial que o Estado mantenha uma posição de neutralidade religiosa, garantindo a igualdade de direitos e a liberdade de crença para todos os cidadãos.
O presente manifesto defende a remoção da referência a Deus da Constituição Brasileira, não como um ataque à fé ou à espiritualidade de qualquer cidadão, mas como um passo fundamental para consolidar o caráter laico do Estado brasileiro. Este movimento visa fortalecer a democracia, garantindo que todas as crenças — incluindo o direito de não crer — sejam respeitadas igualmente.
Por que Remover a Referência a Deus?
1. Respeito à Pluralidade Religiosa
O Brasil é um país multicultural, composto por pessoas de diferentes religiões e também por aqueles que não professam nenhuma fé. Manter uma referência específica a Deus no texto constitucional pode ser interpretado como uma preferência do Estado por determinadas crenças religiosas, o que fere o princípio da neutralidade.
A remoção dessa referência reforça a ideia de que o Estado é de todos, independentemente de religião. Um Estado laico é aquele que garante liberdade religiosa para todas as pessoas, sem favorecer ou discriminar qualquer crença.
2. Garantia do Estado Laico
O conceito de Estado laico implica na separação entre religião e governo. Isso significa que o Estado não deve impor, favorecer ou se alinhar a nenhuma doutrina religiosa específica. A manutenção da menção a Deus na Constituição contradiz essa premissa, dando margem a interpretações que colocam a religião como parte fundamental das decisões estatais.
A laicidade é um pilar da democracia. É ela que assegura que as políticas públicas sejam elaboradas com base em critérios racionais e universais, respeitando a diversidade e promovendo a inclusão de todos os cidadãos.
3. Proteção da Liberdade de Crença
A referência a Deus pode ser vista como uma exclusão simbólica daqueles que não professam uma fé religiosa, como ateus, agnósticos e seguidores de filosofias não teístas. A remoção desse termo não diminui a liberdade de culto para os religiosos, mas sim amplia a sensação de pertencimento de todos os cidadãos ao aparato estatal.
Um Estado verdadeiramente laico protege tanto o direito de praticar uma religião quanto o direito de não ter religião. Essa neutralidade é essencial para evitar a discriminação e para garantir que todas as vozes sejam ouvidas de forma igualitária.
Exemplos Internacionais
Diversos países possuem Constituições que não fazem menção a Deus, sem que isso tenha comprometido a liberdade religiosa ou espiritual de seus cidadãos.
França: O preâmbulo da Constituição Francesa não faz menção a Deus, e o país é reconhecido como um dos principais defensores do Estado laico no mundo.
Estados Unidos: Embora "In God We Trust" seja um lema nacional, a Constituição dos Estados Unidos não faz nenhuma referência a Deus, garantindo a separação entre Igreja e Estado.
México: A Constituição mexicana estabelece claramente a laicidade do Estado, garantindo que as instituições públicas sejam neutras em relação a qualquer crença religiosa.
Esses exemplos mostram que a ausência de menções religiosas nas Constituições não implica em prejuízo para a liberdade religiosa, mas sim em um fortalecimento das garantias democráticas e dos direitos humanos.
O Que Mudará na Prática?
A remoção da referência a Deus no preâmbulo da Constituição não afetará a liberdade religiosa ou a prática de qualquer fé no Brasil. Igrejas, templos e comunidades religiosas continuarão livres para exercer suas atividades, conforme garantido pelo artigo 5º da Constituição.
O que essa mudança simboliza é um compromisso renovado com a igualdade e a inclusão. Um Estado que não privilegia nenhuma crença específica é um Estado que protege a diversidade e promove a convivência pacífica entre diferentes grupos.
Respostas às Críticas Mais Comuns
“Essa proposta é um ataque ao cristianismo.”
De forma alguma. A proposta não busca silenciar ou restringir a prática religiosa de ninguém. Pelo contrário, busca garantir que o Estado respeite igualmente todas as crenças e descrenças.
“O Brasil é um país majoritariamente cristão.”
Embora a maioria da população brasileira se identifique como cristã, o Estado deve servir a todos os cidadãos, independentemente de suas crenças pessoais. Um Estado laico é um Estado que protege minorias religiosas e garante direitos iguais para todos.
“Remover Deus da Constituição trará consequências negativas para o país.”
A prosperidade de uma nação não está relacionada a menções religiosas em seu texto constitucional. O que fortalece uma nação é o respeito à diversidade, o compromisso com os direitos humanos e a construção de uma sociedade justa e inclusiva.
Conclusão
A remoção da referência a Deus da Constituição Brasileira é um passo importante para consolidar o caráter laico do Estado e garantir que todos os cidadãos sejam tratados de forma igualitária, independentemente de suas crenças ou descrenças.
Essa mudança não é um ataque à religião, mas sim uma defesa da liberdade religiosa e do respeito à pluralidade. Em um país tão diverso como o Brasil, é fundamental que o Estado seja um espaço de neutralidade e inclusão, onde todos possam se sentir representados.
Convidamos todos os brasileiros a refletirem sobre a importância de um Estado verdadeiramente laico e a se unirem a essa causa em defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de todos.
Remoção da Referência a Deus da Constituição Brasileira para Garantir o Estado Laico
Proponho a remoção da referência a “Deus” do preâmbulo da Constituição Brasileira, como forma de garantir que o Estado seja verdadeiramente laico e imparcial em relação a todas as crenças, garantindo o respeito à liberdade religiosa e à diversidade. Essa alteração não impacta os direitos individuais de liberdade de crença e religião, mas fortalece o compromisso do Estado com a neutralidade religiosa e o respeito a todos os cidadãos, independentemente de suas convicções pessoais.
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