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O Futuro de Ouro Preto: Entenda a Proposta de Reestruturação do Plano Diretor








A revisão do Plano Diretor de Ouro Preto entrou em uma fase crucial de apresentação de diretrizes e propostas para o município. Conduzida pela arquiteta e urbanista Letícia Matos, a proposta busca organizar o crescimento da cidade de forma sustentável, integrando as necessidades da sede e dos distritos.


Uma Estrutura Baseada em Quatro Pilares


O novo Plano Diretor é estruturado em quatro categorias interdependentes que visam transformar conceitos em ações práticas:

  1. Princípios: Definem os valores fundamentais e a "cidade que queremos", incluindo o cumprimento da função social da propriedade.

  2. Diretrizes: Apontam o caminho conceitual para áreas como habitação e meio ambiente.

  3. Estratégias Operacionais: Detalham como as diretrizes se tornam realidade através de programas, obras e projetos.

  4. Instrumentos Normativos: Ferramentas legais, como o zoneamento e o estudo de impacto de vizinhança, que dão materialidade ao plano.

Para organizar essas propostas, foram definidos oito eixos temáticos, que abrangem desde a preservação do patrimônio até a gestão da mobilidade e rede de cuidados.


Macrozoneamento: Uma Visão para Todo o Território


Uma das grandes novidades desta revisão é a inclusão do macrozoneamento, que divide o território total de Ouro Preto em cinco grandes áreas baseadas em suas vocações:

  • Macrozona Urbana: Compreende os perímetros urbanos já existentes.

  • Macrozona de Preservação Ambiental: Áreas de unidades de conservação e proteção de mananciais.

  • Macrozona de Produção Agropecuária: Focada em regiões com forte vocação rural, como Amarantina e São Bartolomeu.

  • Macrozona de Atividades Industriais e Minerais: Áreas destinadas à mineração e à diversificação econômica com indústrias de maior porte.

  • Macrozona de Ocupação Controlada: Espaços para expansão urbana preferencial entre distritos como Cachoeira do Campo e Gláura.


Zoneamento Urbano e Qualidade de Vida


No nível urbano, a proposta detalha como cada bairro deve crescer por meio de parâmetros urbanísticos. O zoneamento define áreas de proteção especial (patrimônio), zonas de interesse social (habitação) e zonas de adensamento controlado. O objetivo é equilibrar a densidade demográfica, garantindo que áreas com infraestrutura recebam mais moradores, enquanto áreas sensíveis sejam preservadas.

Um conceito central apresentado é o do "Bem Viver", que foca no fortalecimento das centralidades locais. A ideia é que bairros e distritos tenham autonomia, com comércio e serviços próximos, reduzindo a necessidade de grandes deslocamentos.


Mobilidade e Conectividade


A proposta de mobilidade urbana estabelece uma hierarquia para as vias (arteriais, coletoras e locais) em todos os distritos. Além disso, prevê a criação de novas conexões viárias, como a ligação entre os bairros Santa Cruz e Lagoa, para melhorar o fluxo de trânsito e a integração territorial.


Próximos Passos e Legislação


O processo de revisão não se restringe apenas ao Plano Diretor, mas envolve um conjunto de sete leis complementares, incluindo os códigos de obras, posturas e a lei de uso e ocupação do solo.


As minutas dessas leis serão entregues de forma escalonada à Câmara de Vereadores, com o primeiro bloco (Plano Diretor, Uso do Solo e Mobilidade) previsto para agosto de 2025/2026. O objetivo final é garantir uma gestão democrática e integrada que responda aos desafios reais da população ouro-pretana.


Mapa mental resumindo a proposta de reestruturação do Plano Diretor de Ouro Preto




🗺️ Mapa Mental: Plano Diretor de Ouro Preto

1. Estrutura Fundamental (4 Categorias Interdependentes)

  • Princípios: Valores fundamentais (a "cidade que queremos"), incluindo a função social da propriedade.

  • Diretrizes: Caminhos conceituais para cada área (habitação, meio ambiente, etc.).

  • Estratégias Operacionais: Conversão do plano em ação (programas, obras e projetos).

  • Instrumentos Normativos: Ferramentas legais para materializar o plano (Macrozoneamento, Zoneamento, EIV).

2. Os 8 Eixos Temáticos (Integração de Ações)

  • Promoção Social e Rede de Cuidados.

  • Moradia Digna.

  • Gestão da Mobilidade.

  • Resiliência Urbana.

  • Preservação do Patrimônio Cultural e Natural.

  • Bem Viver: Fortalecimento das centralidades locais e autonomia dos distritos.

  • Desenvolvimento Econômico.

  • Gestão Pública.

3. Macrozoneamento (Vocações do Território)

  • Macrozona Urbana: Áreas dos perímetros urbanos existentes.

  • Macrozona de Preservação Ambiental: Unidades de conservação e proteção de mananciais.

  • Macrozona de Produção Agropecuária: Áreas com forte presença de produtores rurais.

  • Macrozona de Atividades Industriais e Minerais: Foco em mineração e diversificação econômica (indústrias de grande porte).

  • Macrozona de Ocupação Controlada: Expansão urbana preferencial (ex: entre Amarantina e Cachoeira do Campo).

4. Zoneamento Urbano e Uso do Solo

  • Tipos de Zonas:

    • ZPE: Proteção Especial (Patrimônio).

    • ZEIS: Interesse Social (Habitação).

    • ZAC: Adensamento Controlado (Nova proposta).

    • ZUI: Uso Especial (Grandes empreendimentos).

  • Parâmetros Urbanísticos: Regras para altura, tamanho de lote e densidade de moradores.

  • Categorias de Uso: Residencial e Não Residencial (compatível, tolerável, especial e industrial).

5. Mobilidade Urbana

  • Hierarquia Viária: Vias Arteriais, Coletoras e Locais para a sede e todos os distritos.

  • Conectividade: Proposta de novas ligações viárias (ex: Santa Cruz à Lagoa).

  • Estradas Municipais: Gestão estratégica de aproximadamente 900 km de estradas.

6. Cronograma e Legislação (7 Leis)

  • Agosto (1º Bloco): Entrega das minutas do Plano Diretor, Uso e Ocupação do Solo e Mobilidade.

  • Outubro: Código de Obras e Código de Posturas.

  • Final do Ano: Regularização Fundiária e Edilícia.


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Jorge Guerra Pires é autor dos livros sobre política e inteligência artificial: "Desinformação, infodemia, discurso de ódio, e fake news", "Inteligência Artificial e Democracia", e "Ciência para não cientistas".



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